A ÉPOCA MODERNA
RUPTURA, CONTINUIDADE, TRANSIÇÃO E ESPECIFICIDADE
DOI:
https://doi.org/10.55028/10gqxn21Palavras-chave:
Época Moderna; Historiografia; ConceitosResumo
Este artigo pretende fazer uma revisão bibliográfica da Época Moderna com o objetivo de desconstruir interpretações teleológicas que a reduzem a uma mera fase de transição. Apoiando-se na crítica ao “estigma da temporalidade”, o texto analisa o período a partir de categorias autônomas. Pelo viés do contextualismo linguístico (SKINNER, 1996; POCOCK, [1975] 2016), investiga as continuidades e rupturas epistemológicas entre o Humanismo cívico e a Reforma. Por fim, o artigo desconstrói o paradigma estadualista clássico, mobilizando a historiografia institucional contemporânea (ELLIOTT, 1992) para demonstrar que as monarquias operavam sob a lógica do “Estado Corporativo” e das “monarquias compósitas”. Evidencia-se, assim, que a “Primeira Modernidade” possui dinâmicas políticas próprias, irredutíveis à figura do Estado-nação contemporâneo.
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