ENTRE AMIZADE E O “FUNESTO FIM”

AGÊNCIA GUAICURU, GUERRA INDÍGENA E VULNERABILIDADE COLONIAL NO PRESÍDIO DE COIMBRA (1777-1778)

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.55028/h712tk64

Palabras clave:

Guaicurus; guerra indígena; fronteira colonial.

Resumen

Este artigo analisa os ataques guaicurus ao Presídio de Coimbra, na capitania de Mato Grosso, entre 1777 e 1778, a partir das cartas do sargento-mor Marcelino Roiz, lidas não apenas como relatos administrativos, mas como registros de uma fronteira em permanente disputa. Sustenta-se que o episódio deve ser compreendido como evidência da agência indígena no interior das estruturas militares coloniais, uma vez que os guaicurus não figuram apenas como inimigos externos da ocupação portuguesa, mas como sujeitos históricos capazes de negociar, observar, testar, atacar e comprometer a sustentação material do presídio. Ao reconstituir a aproximação diplomática, as trocas de presentes, a entrada dos indígenas na fortificação, a ruptura violenta, as baixas da guarnição e a posterior destruição dos roçados, demonstra-se que a guerra, nesse contexto, operou como prática relacional e instrumento de intervenção política sobre o espaço colonial. Em diálogo com a Antropologia da Guerra Indígena, com a New Conquest History e com a Nova História Indígena, o caso permite deslocar o foco da narrativa colonial e perceber os guaicurus como protagonistas de um processo em que a fortificação portuguesa se revela menos como símbolo de domínio estável e mais como estrutura vulnerável. Desse modo, a guerra é interpretada como linguagem histórica de ação, disputa e protagonismo na fronteira Oeste da América portuguesa.

Biografía del autor/a

  • Bruno Cezar Bio Augusto, Universidade Federal do Paraná

    Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná. Realiza pesquisas relacionadas à mobilidade social no Antigo Regime Português.

Referencias

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FONTES

CARTA do sargento-mor Marcelino Roiz ao capitão-general Luís de Albuquerque. Vila Bela, 20 de julho de 1776. Arquivo Público de Mato Grosso. Ref.: BR MTAPMT FC-CA-0014.

CARTA do sargento-mor Marcelino Roiz ao capitão-general Luís de Albuquerque. Vila Bela, 22 de janeiro de 1778. Arquivo Público de Mato Grosso. Ref.: BR MTAPMT FC-CA-0025.

CARTA do sargento-mor Marcelino Roiz ao capitão-general Luís de Albuquerque. Vila Bela, 9 de fevereiro de 1778. Arquivo Público de Mato Grosso. Ref.: BR MTAPMT FC-CA-0027.

Publicado

2026-07-09