“DIZ JOSÉ BORGES”
CONFLITO E AGÊNCIA INDÍGENA EM ITAPECERICA (1767-1770)
DOI:
https://doi.org/10.55028/g2tz1e88Palavras-chave:
Agência Indígena, Patentes Militares, Aldeamento de ItapecericaResumo
O presente artigo analisa o conflito protagonizado por José Borges, capitão-mor indígena do aldeamento de Itapecerica, capitania de São Paulo, entre os anos de 1767 e 1770. Este episódio se insere no contexto da implementação do Diretório dos Índios nos aldeamentos paulistas. A partir da análise do auto de medição enviado pelo diretor Francisco Godinho Pais e da representação enviada por José Borges ao governador D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, buscamos evidenciar como um indígena portador de patente militar soube mobilizar a própria lógica colonial, seus instrumentos, instâncias e legitimidades, em defesa dos interesses coletivos de sua comunidade. O episódio culminou na destituição do diretor em agosto de 1770. Alinhado às propostas da Nova História Indígena e da Nova História Militar, este trabalho argumenta que a patente de capitão-mor funcionou como ferramenta de agência: conferiu legitimidade à denúncia, facilitou o acesso às instâncias administrativas e possibilitou um desfecho favorável aos indígenas. O caso de José Borges aponta que a mobilização estratégica das estruturas coloniais por indígenas portadores de patentes militares não foi um fenômeno excepcional, mas uma possibilidade inscrita na própria organização dos aldeamentos.
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