“POR NADA DESTE MUNDO QUEREM RENUNCIAR À SUA LIBERDADE”
OS INDÍGENAS NOS MUNDOS DO TRABALHO AMAZÔNICO, SÉCULO XIX
DOI:
https://doi.org/10.55028/zn56h094Palavras-chave:
indígenas, Amazônia, trabalhoResumo
Este artigo analisa as formas de coerção que marcaram a mobilização da força de trabalho indígena nos sertões da província do Amazonas durante o século XIX, bem como as estratégias elaboradas por esses sujeitos para disputar, no cotidiano, os sentidos de liberdade e escravidão. O estudo examina como práticas de coerção, como a ameaça de alistamento e a atuação de autoridades administrativas, foram mobilizadas para disciplinar populações consideradas livres, mas socialmente vulneráveis. Ao mesmo tempo, evidencia como trabalhadores indígenas expressavam desacordos, recusas e limites às demandas que lhes eram impostas, elaborando diferentes estratégias para questionar as relações de trabalho e afirmar margens de autonomia. Para isso, o artigo mobiliza relatos de viajantes do século XIX, compreendidos como fontes que, apesar dos limites e das perspectivas de seus autores, registram experiências, práticas e conflitos observados durante as viagens. Partindo do diálogo com a historiografia sobre os mundos do trabalho e com os estudos do campo da História indígena e do indigenismo, argumenta-se que, longe de constituírem sujeitos passivos, esses trabalhadores participaram ativamente da definição e da contestação das relações laborais nas quais estavam inseridos.
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