DO CERCO À NORMA
COSMOLOGIAS GLOBALIZANTES E PRÁTICAS DE APROVEITAMENTO NA DIPLOMÁTICA FERNANDINA (1233–1246)
DOI:
https://doi.org/10.55028/zfw1eg69Palavras-chave:
Cosmologias globalizantes, Chancelaria régia, Fernando IIIResumo
Este artigo examina a documentação diplomática do reinado de Fernando III de Castela e Leão (1230–1252) a partir da heurística das cosmologias globalizantes. Propõe-se que a chancelaria régia não apenas registrava decisões administrativas, mas operava como tecnologia de governo que convertia o horizonte soteriológico da guerra santa em regimes de tributação, delimitação territorial e gestão de recursos. Mediante análise em close reading de cinco diplomas andaluzes (1233–1246), demonstra-se como a gramática sacral da cruzada autorizava e orientava atos de governo sobre pessoas, espaços e jurisdições, processo aqui denominado aproveitamento. A datação apud obsidionem emerge como dispositivo que converte a exceção bélica em tempo jurídico, amplificando a autoridade do comando para além do teatro de guerra. Conclui-se que a chancelaria fernandina funcionava como instrumento de hegemonização, prescrevendo o que era tido por normal e razoável e eliminando perspectivas alternativas sobre o ordenamento do espaço conquistado.
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