CATALINA REDONDA: FEITICEIRA (DES)CONDENADA PELA REAL AUDIÊNCIA E CHANCELARIA DE VALLADOLID ,1560

CATALINA REDONDA: SORCERESS (UN)CONVICTED BY ROYAL AUDIENCE AND CHANCELLERY OF VALLADOLID, 1560

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55028/02js5k36

Palavras-chave:

Feitiçaria; Cartas executórias; Estudos de Gênero;

Resumo

A historiografia tem demonstrado que a partir da segunda metade do século XV é possível identificar um aumento sistemático de acusações, julgamentos e sentenças de casos de feitiçaria e bruxaria no continente europeu. Ao mesmo tempo, investigações mais recentes conseguiram mapear e sustentar que o processo de criminalização destas práticas ocorreu sincronicamente ao seu processo de feminilização. Este artigo analisa a carta ejecutoria gerada a partir do processo por feitiçaria contra Catalina Redonda, julgado pela Real Audiência e Chancelaria de Valladolid em 1560. Acusada com base na "fama pública" em sua vila, a ré foi inicialmente condenada pela justiça local a penas severas. Contudo, ela pode apelar à instância superior da coroa que resultou em uma outra interpretação sobre o seu caso. Este caso revela o (des)compasso entre os tribunais locais e centrais. A partir dos pressupostos dos Estudos de Gênero, o trabalho argumenta que o caso de Catalina Redonda evidencia não apenas a perseguição aos saberes femininos, mas também a agência da acusada, que utilizou os próprios mecanismos jurídicos como estratégia de resistência para negociar sua sentença.

Biografia do Autor

  • Lucas Vieira de Melo Santos, UFBA

    Doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia. Mestre (2021), bacharel e licenciado (2016) pela mesma instituição. É membro do LETHAM-UFBA (Laboratório de Estudos sobre a Transmissão e História Textual na Atualidade e no Medievo). E-mail: lucas.vieirademelo@hotmail.com.

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Publicado

2026-01-29