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Dossiê História e novas epistemologias

2020-05-06

Novos sujeitos, novos objetos, novos problemas e novas abordagens resumem genericamente a História recente da historiografia e insinuam a capacidade dessa ciência (re)inventar-se em termos de teoria, metodologia e fontes. O “novo”, contudo, gera críticas epistemológicas profundas. Os desafios contemporâneos, muitas vezes, são experimentados em grupos minoritários, enquanto que sua pilastra disciplinar, mesmo com as significativas mudanças nas últimas décadas, mantêm-se hegemonicamente com caracterizações construídas desde o século XIX – o da ciência branca, ocidental, masculina, cristã e heterossexual – especialmente no que se refere às produções teóricas.

Compreendemos aqui a epistemologia como “o estudo das formas de produção do conhecimento. (...) é propor a reflexão sobre os objetivos, os objetos e os sujeitos envolvidos nos processos de produção dos saberes. Contudo deve-se começar dizendo que a construção de um campo de saber é antes de tudo uma questão de exercício de poder” (SILVA; OLIVEIRA, 2019, p. 203). Desse modo, podemos dizer que alguns dos desafios para o século XXI estão marcados pela emergência de epistemologias não hegemônicas, isto é, de progressivas reflexões críticas sobre o modo como produzimos nosso conhecimento. Silêncios, paradigmas, projetos acadêmicos e institucionais, diálogos geopolíticos, narrativas, linguagens e sujeitos são repensados, ressignificados, retomados, reposicionados a partir de novos/renovados saberes e dizeres históricos. As finalidades da nossa produção frente aos desafios globais e locais, sua inserção social, suas contribuições para a produção de mundos outros, os lugares de fala dos(as) historiadores(as) em distintos contextos estão progressivamente em discussão. Tendo essas questões no horizonte, este dossiê tem como objetivo reunir pesquisadoras(es)/ historiadoras(es) que explorem os debates epistemológicos da ciência histórica. Embora não exclusivamente, são especialmente bem-vindas as contribuições dos estudos pós-coloniais, subalternos, des/decoloniais, sul-sul, sul global, diaspóricos, etno-históricos e feministas. Também são desejados artigos que explorem o recorte do dossiê em suas interfaces com a formação curricular de historiadores(as), bem como com o ensino escolar de História.

Organizadoras: Cintia Lima Crescêncio (UFMS)/ Gleidiane de Sousa Ferreira (UVA)

Submissões até 30 de abril de 2021

Referência:

SILVA, Cristiani Bereta da; OLIVEIRA, Nucia Alexandra Silva de. Epistemologia Feminista. In: COLLING, Ana Maria; TEDESCHI, Losandro Antônio. (org.) Dicionário crítico de gênero. Prefácio [de] Michelle Perrot. – 2.ed. – Dourados, MS: Ed. Universidade Federal da Grande Dourados, 2019, p. 203-207.

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Edição Atual

v. 9 n. 17 (2019): Políticas públicas para a formação de professores no Brasil: história e projetos em disputa
Publicado: 2019-12-13

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A Revista foi pensada e elaborada com o objetivo de promover o debate acadêmico, tendo o propósito de enriquecer as pesquisas em andamento, tal como agregar produções de outros lugares, instituições e sujeitos. Com esse objetivo, esperamos alcançar, além de professores da universidade e da rede pública e privada de ensino, alunos graduandos de nosso curso e de outras universidades, tendo por intuito incentivar novas pesquisas e a busca por conhecimentos produzidos pela História e áreas afins. Se a proposta é interdisciplinar, disciplinas como a Filosofia, Geografia, Ciências Sociais, Antropologia, Arqueologia, entre outras, encontrarão espaço para veicular as suas produções, desde que concernentes aos temas sugeridos pela Revista. A Revista se constitui de Dossiês; Artigos livres; Ensaios de Graduação; Resenhas e Fontes. 

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