Perspetivas dos pais portugueses sobre a educação sexual em casa e na escola: implicações para a intervenção

  • Cristiana Pereira de Carvalho Membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Integrante do Grupo de Pesquisa "Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais (PVPP/PUCRS)" e do Grupo "Educação, Gênero e Trabalho Artesanal" da PUCRS.
  • Maria do Rosário Moura Pinheiro Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Membro colaborador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da FPCEUC. Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Estudante da FPCEUC.
  • José Augusto Pinto Gouveia Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Membro integrado do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da FPCEUC.
  • Duarte Gonçalo Rei Vilar Professor Associado da Universidade Lusíada de Lisboa. Coordenador do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Investigação Social (CLISSIS).
Palavras-chave: Pais. Educação Sexual. Escola. Família.

Resumo

A comunicação sexual entre pais e filhos é um dos fatores que mais influência o comportamento sexual preventivo dos jovens. Este estudo teve como objetivo conhecer as perspetivas de pais e mães sobre a educação sexual na família e na escola. Para isso, 367 pais de ambos os sexos responderam ao "Questionário para pais sobre educação sexual". Os resultados evidenciam que os pais apoiam a educação sexual nas escolas e a inclusão de um programa abrangente entre o 2º e o 3ºciclo do ensino básico. Todos os temas são importantes para o currículo da educação sexual nas escolas. Apesar de considerarem proporcionar uma boa educação sexual em casa, muitos pais comunicam de forma superficial sobre diversos temas, revelando dificuldades na comunicação. Ter conhecimentos e sentir-se confortável parece ter implicações positivas na extensão da comunicação, na qualidade da educação sexual oferecida e no incentivo aos/às filhos/as para participarem em atividades de educação sexual na escola. São apresentadas sugestões e implicações para futuros estudos e intervenções com pais.

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Publicado
2019-06-30
Seção
Artigos